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"Dá-me o telemóvel, já!". A frase correu o país.
Alarmou pais e professores. Foi repetida vezes sem fim entre crianças,
adolescentes e jovens, em jeito de pura ironia face a uma realidade do seu dia-a-dia
escolar. E até serviu de mote para música "rap". Um estudo
feito junto de 207 alunos dos 6.º e 10.º anos de escolaridade, do Porto,
e agora divulgado, veio revelar a ligação afectiva forte que existe
entre os adolescentes e os telemóveis e demais parafernália tecnológica.
Os investigadores falam mesmo de "obsessão" e "dependência".
Quem manda uma média de 236 sms por semana, tem na lista contactos mais
de 125 registos e já teve, aos 16 anos, mais de três telemóveis,
poderá estar muito tempo longe do seu aparelho de estimação?
"Há escolas holandesas onde a utilização de telemóveis
é simplesmente proibida. E se em Portugal acontecesse o mesmo?".
Sentados à volta de uma mesa, em pequenos grupos, o desafio caiu que
nem bomba nos ouvidos de pré-adolescentes (com uma idade média
de 12 anos, alunos do 6.º ano de escolaridade) e adolescentes (com uma
média de 15 anos, alunos do 10.º ano de escolaridade).
O mote para conhecer o grau de dependência que amarra os adolescente
às novas tecnologias foi lançado por uma equipa de investigadores
da academia portuense, em Junho do ano passado, liderados por Pedro Quelhas
Brito, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Apenas um
aviso o público-alvo escolhido era constituído por alunos de quatros
escolas do Porto (duas delas de ensino privado), frequentadas por adolescentes
oriundos da classes média e alta, e utilizadores regulares do "messenger"
(Msn).
A razão da selecção dos alunos com base na utilização
do Msn teve uma razão, como explicou Quelhas Brito o Msn dá uma
ideia do grau de envolvimento "digital" dos miúdos, já
que ele implica a utilização de um computador, acesso à
Internet, assim como uma rede de amizades para interagir.
Para os pré-adolescentes, a proibição do uso de telemóveis
na escola constituiu uma má ideia, tendo eles mesmo invocado a impossibilidade
de serem contactados pelos pais para justificarem a utilidade do aparelho na
escola. Já os colegas mais velhos concordaram com a proibição,
principalmente quando os alunos não sabem respeitar as regras da boa
educação.
Questionados sobre a posse de telemóveis, a grande maioria dos pré-adolescentes
(93,3%) afirmaram ter um, enquanto no grupo de colegas mais velhos todos possuíam
telemóvel. Curiosamente, em ambos os grupos, os aparelhos tinham, na
sua maioria, câmara (78% nos pré-adolescentes e 87,4% nos adolescentes).
Por outro lado, a maioria dos alunos de ambos os grupos já possuía
telemóvel há muito tempo 69% dos pré-adolescentes tinham
começado a usar antes do ano de 2006, enquanto os adolescentes já
os usavam desde antes do ano 2002.
Curiosamente, 36,5% dos alunos do 6.º ano de escolaridade já tinham
tido mais de três telemóveis. O mesmo acontecia a 77% dos adolescentes.
Quanto ao envio de sms, os investigadores apuraram que os pré-adolescentes
enviavam uma média de 84,2 por semana. Já os colegas mais velhos,
superavam as 235 sms por semana.
Esta diferença é justificada pelo número de contactos
presentes na lista os mais novos revelaram ter uma média de 87,2 contactos,
enquanto os mais velhos tinham 125. Contudo, os números mais utilizados
correspondiam a uma média de 12,2 nos pré-adolescentes, contra
os 23,3 nos adolescentes.
Fernando Basto, JN, 11-05-2008
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