Educadores de Infância
1.º Ciclo
Português
Inglês
Francês
Matemática
Ciências Físico-Químicas
Biologia / Geologia
Ciências Económico-Sociais
Informática
História
Psicologia
Filosofia
Geografia
Educação Visual e Tecnológica
Educação Física
Ciência Política
Contactos

Netprof
Rua da Restauração, 365
4099-023 Porto

E-mail: assistente@netprof.pt
Dossiers Temáticos | Notícias da Educação
Maternidade na adolescência coloca Portugal no segundo pior lugar da UE-15
"Gravidez e Maternidade Adolescente - Direitos Humanos e Saúde Sexual e Reprodutiva" é o título do documento a apresentar hoje pela APF, no âmbito do projecto Rosa (Responsabilidade, Oportunidade, Solidariedade, Acção), que visa introduzir na agenda pública os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com a saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

Segundo esta folha informativa, a gravidez na adolescência continua a ser um problema em Portugal, apesar de o número de bebés nascidos de mães adolescentes ter diminuído de 6,24 em cada cem em 2000 para 5,04 por cento do total de nados vivos em 2005.

Ainda assim, em 2004 Portugal seguia no segundo lugar da lista dos países da UE-15 com taxas mais elevadas de gravidez entre adolescentes.

A APF lembra ainda que os números reais da gravidez adolescente no país não são completamente conhecidos devido aos abortos praticados na clandestinidade.

A Associação para o Planeamento da Família (APF) sublinha que a maternidade em adolescentes acarreta consequências negativas aos níveis psicológico, biológico, social, educativo e económico.

As consequências são ainda mais significativas em meios de pobreza, pelo que o "percurso para a inclusão social destas jovens e suas famílias é um desafio político e estratégico para o futuro e de cidadania no quotidiano".

No documento a APF defende que os jovens são "parte da solução e não do problema" em termos de saúde sexual e reprodutiva e sublinha a urgência de dar todo o apoio, aconselhamento e cuidados de saúde aos mais novos.

Entre os 46 países desenvolvidos, as taxas de gravidez entre jovens variam entre valores baixos em cerca de dez países e altos em cinco locais.

O Japão é o que apresenta a taxa mais baixa, com 3,9 casos em cada mil enquanto no outro extremo está a Rússia, com cem em cada mil.

As taxas de 70 ou mais casos em cada mil adolescentes ocorrem na Rússia, Bielorrussia, Bulgária, Roménia e Estados Unidos.

Um em cada dez nascimentos em todo o mundo envolve mães jovens.

Os filhos de mães adolescentes têm 1,5 vezes mais risco de morte antes do primeiro ano de vida e a probabilidade de morte materna devido à gravidez é quatro vezes superior entre raparigas entre os 15 e os 19 anos quando comparada com mulheres entre os 25 e os 29 anos.

Por razões fisiológicas e sociais, as jovens entre os 15 e os 19 anos têm o dobro da probabilidade de morrer no parto do que as raparigas acima dos 20 anos.

Outros riscos associados à gravidez e maternidade precoces são a infecção de VIH/Sida e o recurso ao aborto inseguro.

Metade das novas infecções com o vírus da Sida, cerca de 6 mil diárias, ocorre entre jovens dos 15 aos 24 anos e mais de 4,4 milhões de raparigas até aos 19 anos fazem abortos a cada ano. Deste total, estima-se que cerca de dois milhões sejam feitos em condições não seguras.

Nos dados disponíveis de 33 países desenvolvidos, as taxas de aborto entre adolescentes são baixas (dez a vinte em cada mil) em países como República Checa, Inglaterra ou Finlândia e Suécia.
A APF lembrou a relação entre maternidade na adolescência e a propagação da pobreza, verificando-se uma hipótese três vezes superior de uma gravidez na adolescência em grupos sócio-economicamente mais pobres.

Outros pontos negativos destacados na folha informativa são a desvantagem feminina na área da escolaridade, já que em média as raparigas têm menos 4,4 anos de educação, e a discriminação de género.

A APF sublinhou ainda que o casamento precoce, que coloca em risco a saúde e limita a educação, marca pela negativa as estatísticas.

Prevê-se que 82 milhões de raparigas irão casar antes dos 18 anos nos países em desenvolvimento e no Níger, por exemplo, 76 por cento das jovens casam antes da idade da maioridade.

Quanto à violência baseada no género, os números indicam que 2,2 milhões de raparigas entre os cinco e os 15 anos sejam traficadas anualmente para exploração sexual e que cerca de 50 por cento dos crimes sexuais são cometidos contra meninas com 15 ou menos anos.

Segundo os últimos dados divulgados, regista-se a maior geração de jovens de toda a História, uma vez que quase metade da população (cerca de três biliões de pessoas) tem menos de 25 anos.

Os países menos desenvolvidos e mais pobres tendencialmente apresentam taxas mais elevadas de jovens, já que 87 por cento de todos os jovens vivem em países em desenvolvimento.

Lusa/SOL 30-07-07