Nascida por volta do ano 30, a Igreja conquista também Roma, a capital
do império, por volta de 50. Cerca de dez anos mais tarde, os apóstolos
Pedro* e, depois, Paulo, instalam-se ali. Ambos são lá executados
entre os anos 64 e 67, ao mesmo tempo que os primeiros mártires. Roma
toma-se, a partir daí, o centro da Igreja, e aos bispos que presidem
ao seu destino é dada uma primazia, cada vez mais reconhecida, sobre
outros bispos. O cristianismo, trazendo uma resposta às buscas espirituais
da época, conhece desde logo uma rápida expansão através
das colónias romanas. Além disso, possuiu a auréola de
prestígio que rodeia as religiões orientais, particularmente apreciadas
na época. O seu crescimento não é afectado pelas perseguições
de que é alvo, decretadas pelos governadores locais ou, por vezes, pelo
próprio imperador, que as generaliza a todo o território imperial.
Desde o seu nascimento que os ensinamentos sobre a igual dignidade dos seres
humanos seduziu os escravos e os meios mais pobres, mas, ao pregar um Deus único,
atraiu também mentes brilhantes pertencentes às classes médias
e à aristocracia. Nos séculos II e III, autores de grande envergadura
com formação clássica, como Ireneu, Tertuliano e Orígenes
lançam, na esteira de outros escritores - os Padres Apostólicos
do século I -, os fundamentos da teologia cristã. E, ao mesmo
tempo que a unidade do Império Romano começa a vacilar, provocando
o desaparecimento progressivo da religião oficial, a Igreja afirma-se
como urna força nova, a única capaz de reavivar uma sociedade
abalada pelo enfraquecimento das suas estruturas. De perseguida, passa em alguns
anos a aliada e alicerce do poder imperial. Em 313, o imperador Constantino
concede-lhe a liberdade de culto e proclama-se seu protector. Nos séculos
IV e V, o cristianismo estende a sua influência a todo o império
e começa mesmo a converter os bárbaros, populações
que vivem nas fronteiras das províncias de Roma. Aprofunda simultaneamente
a sua doutrina sobre Deus, que possui uma única natureza em três
pessoas, a Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo -, e sobre Jesus, proclamado
ao mesmo tempo Deus e homem. Na verdade, o cristianismo defende a pureza dos
seus princípios contra as heresias, correntes que se afastam daquilo
que reconhece como a Tradição. Reúnem-se concílios*
sob a égide do imperador, que examinam e condenam aqueles que são
declarados hereges, entre os quais os mais brilhantes são Ario e Nestório.
Os decretos aí aprovados definem, ainda com maior rigor, e recorrendo
a conceitos da filosofia clássica, os dogmas fundamentais (pessoa, essência,
natureza). Este trabalho teológico é levado a cabo por bispos
que são não apenas pastores mas também grandes teólogos,
como Cirilo de Alexandria, Atanásio, João Crisóstomo. Durante
estas discussões doutrinais, o bispo de Roma tenta intervir com autoridade.
Fonte: ABCdário do Cristianismo, Público.
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