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Este ressurgimento do paganismo, mais nacionalista do que nunca, foi acompanhado
por perseguições violentas contra a religião que se tomara
a sua maior concorrente, o cristianismo. Depois da redacção dos
Evangelhos, dois séculos antes, o número de cristãos aumentou
regularmente. Trata-se, sobretudo, de comunidades citadinas, constituídas
por elementos das classes baixa e média da sociedade. A Igreja desenvolveu-se
de forma particularmente rápida e vigorosa no seio das antigas cidades-estado
da Ásia Menor. No entanto, a acção missionária cristã
tocou precocemente o Ocidente - no aglomerado populacional de Roma os cristãos
deveriam rondar a dezena de milhar em 200 e três ou quatro vezes mais
no ano 300. Ao fim de algum tempo as comunidades cristãs locais colocaram-se
sob a firme autoridade dos seus bispos. A importância crescente do episcopado
prejudicou a influência dos patriarcas locais e tornou a organização
das dioceses mais eficaz. Cerca de 258, um dos primeiros bispos importantes
do Norte de Africa, São Cipriano, insistia na solidariedade que unia
os cristãos de todas as classes sociais. De facto, esta observação
estava correcta pois a Igreja possuía uma solidariedade e uma coesão
sem rival entre as religiões dessa época. Isto não impediu
que, desde o início, os cristãos tivessem que enfrentar opositores.
No Levante, os Gregos nunca gostaram deles porque se distinguiam ostensivamente
do resto da população: os adeptos de Jesus proclamavam-se estrangeiros,
viajantes de passagem. Esta atitude pouco amigável acabou por se estender
também ao seio da administração imperial romana. Durante
o reinado de Nero, em 64, os cristãos já tinham sido acusados
de serem os responsáveis pelo grande incêndio de Roma, mas esta
calúnia não convencera ninguém. Septímio Severo
foi o primeiro a organizar perseguições sistemáticas em
todo o império: interditou aos cristãos qualquer actividade missionária
e puniu severamente os convertidos. Para as autoridades imperiais, afectadas
por dificuldades de todo o tipo, a eficácia da organização
dos cristãos parecia, cada vez mais, uma provocação. O
imperador Décio considerou intolerável a recusa dos cristãos
em acatarem os ritos comunitários pagãos e exigiu que cada cristão
observasse, pelo menos uma vez, os ritos religiosos tradicionais. Dado que os
membros da Igreja eram, sobretudo, citadinos, tinham dificuldade em passar despercebidos
e encontravam-se, assim, perigosamente vulneráveis. Muitos conseguiram
escapar no momento da verdade; outros apostataram, ainda que provisoriamente;
e outros, por fim, recusando-se terminantemente a sacrificar aos ídolos,
foram mortos. Na qualidade de mártires, foram-lhes construídos
santuários e a devoção que lhes era dirigida, semelhante
à dedicada aos heróis pagãos, constituía um encorajamento
poderoso para os outros fiéis. Galieno pôs fim às perseguições
e inaugurou uma política de tolerância que durou quarenta anos.
Este período de apaziguamento permitiu à Igreja consolidar-se,
a ponto de inquietar os pagãos. Um aluno de Plotino, Profiro, redigiu
um panfleto, denominado Contra os Cristãos, no qual estes foram ferozmente
atacados. Os amigos de Profiro inspiraram, então, a grande perseguição
lançada por Diocleciano e pelo tetrarca Galério.
Constantino também foi responsável por uma revolução
ainda mais importante: a conversão do império ao cristianismo.
De facto, as perseguições lançadas por Diocleciano e Galério
não tiveram resultados. Galério, já moribundo, proclamara
em 311, de acordo com Constantino e Licínio, o Edicto de Serdica que
garantia a liberdade de culto a todos os cristãos. Em 312, Constantino
obtém a vitória da ponte Mílvia sob os auspícios
do signo da cruz, como ele próprio afirmou. No ano seguinte deu voz,
com Licínio, à declaração de tolerância de
Galério ao promulgar o Edicto de Milão.
De acordo com a tradição, Constantino devia adoptar um protector
divino e a sua escolha recaiu sobre o deus-sol mas, ainda que essa divindade
continuasse a figurar nas moedas até 318 ou 319, Constantino já
havia revelado na altura da promulgação do Edicto de Milão
a sua adesão à fé cristã.
Nos anos seguintes, Constantino pôs em prática uma série
de medidas oficiais tendentes a favorecer os cristãos. Os sacerdotes,
por exemplo, foram dispensados das obrigações municipais. O bispo
de Roma, ou seja, o Papa, foi alojado no Palácio de Latrão e o
imperador permitiu que a Igreja tivesse jurisdição própria.
Assim, a Igreja e o Estado tinham cada um a sua autoridade suprema. (
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Fonte: Roma. Mil anos de poder e glória, Selecções
do Reader's Digest.
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