| O celibato do clero
Uma das diferenças sacramentais entre o Oriente e o Ocidente tem a ver
com a elegibilidade dos homens para a ordenação. O celibato universal
era um ideal cristão desde os tempos apostólicos, embora isto
se provasse muito pouco prático à medida que o cristianismo se
expandia. Percebendo isto, os primeiros padres da igreja concordaram que pelo
menos o clero deveria manter o celibato. Isto era também difícil
de pôr em prática, e em breve se desenvolveu o costume de autorizar
os presbíteros (padres) a casar antes da ordenação, embora,
depois desta, o matrimónio (ou segundo casamento no caso de viuvez) fosse
proibido. Os bispos, porém, continuavam a ser escolhidos entre o clero
celibatário, o que significava que na prática a maioria dos bispos
eram monges. Este sistema bipartido foi aprovado oficialmente, no século
VI, pelo imperador Justiniano e ainda constitui actualmente a base da prática
ortodoxa. Um sistema semelhante foi usado durante algum tempo na Igreja católico-romana.
Porém, o clero ocidental depressa evidenciou uma clara tendência
para formar dinastias locais em que as paróquias eram passadas de pais
para filhos. Este costume acabou por perturbar o controlo central exercido pelo
papado, e por isso foi gradualmente abandonado no Ocidente. Por fim, no século
XI, o celibato obrigatório para todo o clero católico-romano foi
legalmente prescrito pelo papa Gregório VII.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.
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