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Dossiers Temáticos | Adolescência
Adolescentes usam mais o preservativo e fumam menos

São menos os que afirmam que na sua última relação sexual não usaram preservativo. Contudo, 18,9 por cento ainda arriscam. Os adolescentes portugueses estão a ter comportamentos mais saudáveis? Os resultados de um inquérito nacional trazem boas e más notícias: fazem mais desporto, fumam menos, mas alimentam-se pior.

Há menos fumadores diários entre os adolescentes portugueses - "parece que já não é tão trendy fumar". São mais os que usam preservativo, mas "não aumentou o número dos que nestas idades iniciam a sua vida sexual". As saídas nocturnas parecem ser menos frequentes e o consumo regular de álcool estabilizou de há quatro anos para cá. Contudo, o pequeno grupo dos que relatam várias bebedeiras tem vindo a engrossar.

Por outro lado, a forma como os adolescentes se alimentam degradou-se - só um quarto diz comer vegetais todos os dias e são menos os que referem tomar sempre o pequeno-almoço. A pergunta óbvia é: afinal, os adolescentes portugueses estão mais ou menos saudáveis? Mas os resultados de um inquérito feito em Janeiro a quase cinco mil alunos dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, com uma média de idades de 14 anos, oferecem sinais contraditórios.

O relatório preliminar, a que o PÚBLICO teve acesso, chama-se A Saúde dos Adolescentes Portugueses. A pesquisa é feita pela terceira vez em Portugal, e a informação recolhida deverá, como sempre, integrar o Health Behaviour in School-aged Children - um estudo da Organização Mundial de Saúde realizado de quatro em quatro anos por uma rede europeia de profissionais ligados à saúde e à educação que procuram estudar "os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários da sua vida".

Elas, mais do que eles, fumam todos os dias.
O estudo internacional, que permitirá comparações entre países, só deverá estar pronto dentro de um ano. Para já, Margarida Gaspar de Matos, investigadora da Faculdade de Motricidade Humana e coordenadora da investigação em Portugal, sublinha que o inquérito aplicado este ano revela que "há vários indicadores que apontam para uma inversão do desaire de 2002" - altura em que tanto em matéria de consumos de substâncias, como de hábitos capazes de prejudicar a saúde e o bem-estar dos jovens, a situação portuguesa tinha piorado.

Agora há várias boas notícias, de acordo com a investigadora: "Há muito mais utilização do preservativo e a descida do consumo do tabaco é fantástica, por exemplo."
Actualmente, cinco por cento dos adolescentes são fumadores diários - há quatro anos a percentagem era de 8,5 por cento; em 1998 atingia os 5,9 por cento. Ao contrário do que se passava em 2002, já há mais raparigas do que rapazes a consumir diariamente tabaco.

No grupo dos "16 anos ou mais" a taxa de fumadores diários sobe para 15 por cento; era, em 2002, de 23 por cento. À pergunta "Já experimentaste tabaco?" 32,8 por cento dos adolescentes dizem que sim; em 2002 a percentagem era de 37,1 por cento.

Quase um quarto dos jovens teve relações sexuais
"Claramente começa a haver um desprestígio social associado ao tabaco. Já não é tão trendy fumar", diz Margarida Matos. "Conseguiu-se uma coisa muito engraçada com os adolescentes, que foi apelar para coisas como o facto de o tabaco tornar a pele seca ou provocar mau hálito... questões que são muito imediatas e que têm repercussões na imagem do corpo, que é algo com que os adolescentes se preocupam."

A utilização do preservativo é outro dos aspectos muito valorizados por Margarida Matos. Que explica: o número de adolescentes dos 8.º e 10.º anos que dizem já ter tido relações sexuais mantém-se idêntico (22,7 por cento, contra 23,7 por cento em 2002). Mas, dentro deste universo, a percentagem dos que dizem que na última relação sexual não utilizaram preservativo diminuiu em relação a 2002 - há quatro anos 29,9 por cento fizeram saber que não tinha usado preservativo; agora são 18,9 por cento.

"Algumas pessoas poderão ler nisto o seguinte: "Tanto chatearam os miúdos que agora todos usam preservativo", mas é preciso dizer que não aumentou o número de jovens nestas idades a iniciar a sua vida sexual. Os que iniciaram é que usam mais o preservativo", continua a psicóloga. "A ideia de que é melhor esconder a sexualidade dos jovens, porque se sabem muito do assunto vão a correr experimentar, não é de todo verdade."

Quanto às más notícias do relatório, o abuso do álcool é uma delas. Se o consumo diário de álcool se mantém com valores idênticos ao longo dos anos (entre 0,5 e 1 por cento reportam consumos diários, conforme as bebidas sobre as quais é feita a pergunta), são cada vez mais os que dizem já ter estado embriagados quatro vezes ou mais - em 1998 a taxa era de 4,2 por cento; em 2002 de 5,3 por cento; em 2006 de seis por cento. "É uma percentagem muito pequena, mas é um padrão" ao qual se deve prestar atenção, diz Margarida Matos. Até porque no grupo etário dos "16 ou mais anos" a taxa já é de quase 20 por cento.

Quem são os 4877 inquiridos?
Cerca de metade dos adolescentes refere que a sua família tem dois ou mais carros (52,4 por cento). A grande maioria diz possuir quarto próprio (75,4 por cento). Mais de metade afirma ter um computador em casa (56 por cento). Estes são alguns dos indicadores de bem-estar económico recolhidos num inquérito aplicado em Janeiro a 4877 alunos de 136 escolas públicas do ensino regular.

A amostra de alunos é representativa da população escolar portuguesa que frequenta os 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, de acordo com os autores do estudo A saúde dos Adolescentes Portugueses, que recebeu o financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA. Os questionários eram anónimos e foram preenchidos na sala de aula.

A maioria dos adolescentes tem nacionalidade portuguesa (94,1 por cento). O nível do pai dos inquiridos situa-se mais frequentemente no 1.º ciclo (34,6 por cento) e o da mãe no 2.º e 3.º ciclos (34,4 por cento). Relativamente à percepção do nível financeiro da sua família, 39.1 por cento dos adolescentes referem que é "bom". Esta semana os primeiros dados são colocado na Internet no site da equipa responsável pelo projecto: www.aventurasocial.com

Cerca de metade dos adolescentes refere que a sua família tem dois ou mais carros (52,4 por cento). A grande maioria diz possuir quarto próprio (75,4 por cento). Mais de metade afirma ter um computador em casa (56 por cento). Estes são alguns dos indicadores de bem-estar económico recolhidos num inquérito aplicado em Janeiro a 4877 alunos de 136 escolas públicas do ensino regular.

A amostra de alunos é representativa da população escolar portuguesa que frequenta os 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, de acordo com os autores do estudo A saúde dos Adolescentes Portugueses, que recebeu o financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA. Os questionários eram anónimos e foram preenchidos na sala de aula. A maioria dos adolescentes tem nacionalidade portuguesa (94,1 por cento). O nível do pai dos inquiridos situa-se mais frequentemente no 1.º ciclo (34,6 por cento) e o da mãe no 2.º e 3.º ciclos (34,4 por cento). Relativamente à percepção do nível financeiro da sua família, 39.1 por cento dos adolescentes referem que é "bom". Esta semana os primeiros dados são colocado na Internet no site da equipa responsável pelo projecto: www.aventurasocial.com

Andreia Sanches Público 17-12-06

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