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Dossiers Temáticos | Cristianismo
A figura de Jesus
"O Jesus histórico"

Jesus não deixou escritos nem autobiografia, e muito pouco daquilo, que realmente disse pode, de um modo fidedigno, ser restaurado pela história.

As escrituras cristãs, incluindo as quatro biografias de Jesus chamadas Evangelhos, foram escritas algum tempo depois da sua morte. A imagem moderna que se tem de Jesus é, portanto, um composto feito a partir das análises criticas desses documentos e de uma contextualização cuidadosa dessas análises no mundo do judaísmo do primeiro século.

Presume-se que Jesus nasceu na Baixa Galileia algures entre 6 a 4 a.C. A sua família, pobre mas remediada, mantinha-se a custo como artesãos de aldeia, tal como muitos outros camponeses mediterrânicos da altura. Jesus aprendeu provavelmente o ofício do pai, a carpintaria, mas não teve uma educação formal. Contudo, deve ter frequentado a sinagoga local e ter adquirido aí pelo menos uma familiaridade oral com as Escrituras hebraicas e as questões do judaísmo farisaico. Além disso, Jesus, tal como os seus vizinhos, devia conhecer o mundo itinerante dos curandeiros, exorcistas e pseudo-profetas que se deslocavam por toda a Galileia.

Em certa altura da sua vida, Jesus foi atraído pelos ensinamentos de um pregador chamado João. A história não nos diz claramente de onde surgiu João nem quais eram as suas origens. Quando Jesus o encontrou, ele pregava nas margens do rio Jordão, que fica a um dia de caminho de Nazaré, terra natal de Jesus. Aí, João pregava a antiga mensagem dos profetas, dando ênfase ao fim iminente do mundo pecaminoso e à instituição do reino de Deus num novo mundo. João ensinava que aqueles que quisessem sobreviver à transição deste mundo corrupto para o Reino de Deus, deveriam passar pelo antigo ritual judeu de purificação do baptismo. Ao que se sabe, Jesus teria aceite a mensagem e sido baptizado por João. Como muitos outros viandantes carismáticos da altura, João atraiu o olhar perscrutador das autoridades romanas que consideravam esta pregação politicamente subversiva. João Baptista foi preso e executado. Com a morte de João, Jesus iniciou a sua própria carreira como pregador. Jesus, porém, parece ter alterado subtilmente a mensagem de João, afirmando que o reino de Deus na Terra já havia sido instituído. Como prova disso, Jesus realizava curas milagrosas e exorcismos, e como consequência do reino, Jesus exortava os seus ouvintes ao igualitarismo radical, ao rompimento com as hierarquias sociais e religiosas que dividiam as pessoas umas das outras.

Com esta mensagem tão ousada - especialmente na cultura altamente estratificada e patriarcal do Antigo Israel -, Jesus conseguiu atrair um grupo de discípulos que o acompanhava durante as viagens pelas aldeias onde difundia a sua mensagem.

Não sabemos se Jesus, nesta altura, atraiu os olhares das autoridades políticas, como acontecera com João. Jesus, porém, selou o seu destino quando decidiu levar a sua mensagem ao centro político e religioso do reino de Israel, Jerusalém. Jerusalém ficava apinhada de pessoas durante os períodos festivos, e o templo era um local excelente para Jesus se dirigir a uma audiência maior do que aquela que poderia encontrar nas zonas rurais. Assim, pouco tempo antes da Páscoa, Jesus e os seus discípulos entraram na cidade e começou a pregar no interior do recinto do templo. Devido à natureza da sua mensagem, ou devido a algum incidente no templo, talvez as duas coisas, Jesus despertou a atenção das autoridades religiosas e políticas da cidade.

Em pouco tempo, Jesus foi preso e executado pelos Romanos através do vulgar método da crucificação. Isto ocorreu por volta de 33 d.C.

Fonte: Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.




"Do Messias a Cristo"

Dos centros de Jerusalém e da Galileia, o movimento de Jesus começou a enviar emissários da boa nova às sinagogas de Israel e da Diáspora. Muito provavelmente, estes emissários apresentavam, a quem os ouvia, versões orais da biografia de Jesus e exemplos dos seus ensinamentos. Isto teve dois grandes impactos no desenvolvimento da tradição. Em primeiro lugar, a mensagem do messianismo de Jesus era ainda considerada fundamentalmente política, e, embora ela interessasse a alguns judeus, muitas autoridades das sinagogas rejeitavam os missionários receando represálias dos romanos. Entre os novos missionários depressa se instalou uma atitude negativa relativamente às autoridades das sinagogas e, por fim, ao próprio judaísmo tradicional. O segundo grande impacto da missão às sinagogas foi o facto de ela ter sido o modo pelo qual a mensagem de Jesus começou a chegar ao mundo helénico ou grego e atrair seguidores não-judeus ("gentios"). Estes seguidores gentios chamavam-se cristãos, nome que tem origem na palavra christos (em grego, "o ungido" ou "Messias"). A missão aos gentios, porém, só começou a expandir-se mais rapidamente com o aparecimento de Paulo de Tarso (m. c. 65 d.C.). Paulo, que nunca conhecera Jesus, foi mesmo assim o missionário mais bem sucedido ~ dos primeiros tempos do movimento de Jesus. (…) Efectivamente, - como o próprio admitiu, Paulo era um dos mais enérgicos adversários dos missionários do movimento de Jesus. Contudo, segundo as suas próprias palavras, Paulo viveu uma poderosa experiência de conversão, quando viajava para Damasco. Desde então, Paulo tomou-se um fervoroso apoiante do messianismo de Jesus em toda a Diáspora.

Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

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