Bebidas destiladas são cada vez mais as preferidas dos jovens e ganham
terreno ao vinho e à cerveja
O consumo de bebidas alcoólicas começa a aumentar mais em alunos
com 16 anos, idade de entrada no ensino secundário. Um quarto (26 por
cento) dos adolescentes desta idade afirmam já ter consumido "cinco
ou mais bebidas de seguida", revela o Estudo sobre o Consumo de Álcool,
Tabaco e Droga, ontem apresentado em Lisboa.
Os 16 anos são "uma idade de charneira, em que aumentam as saídas
à noite", explicou ao PÚBLICO Fernanda Feijão, uma
das autoras do estudo que analisa o universo dos 13 aos 18 anos e foi apresentado
durante o XIX Encontro das Taipas, ontem em Lisboa.
A idade coincide também com o entrada no ensino secundário,
um indicador de que o nível socioeconómico das famílias
dos adolescentes é globalmente superior aos alunos mais novos do ensino
obrigatório, porque lhes permite prosseguir os estudos. Estes adolescentes
têm assim mais possibilidades económicas de consumir bebidas durante
as saídas às noite do que os mais jovens, acrescenta Fernanda
Feijão.
Raparigas ainda bebem menos do que os rapazes
A aproximação de consumos entre sexos é outras das tendências
que se têm vindo a cimentar e que é notória neste estudo,
como acontecia no Inquérito Nacional de 2001 e no European School Survey
Project on Alcohol and Drugs, de 1999 (até aos 16 anos).
Os dados do estudo ontem apresentado foram recolhidos, em 2003, a partir de
uma amostra representativa de 18 mil alunos portugueses, de 933 turmas de mais
de 600 escolas públicas do país.
Apesar da convergência de consumos entre sexos, elas ainda consomem álcool
em menos quantidade e menos vezes do que os rapazes. Aos 18 anos, 27 por cento
dos homens dizem ter apanhado bebedeiras nos últimos 30 dias anteriores
aos inquérito, mais 12 por cento do que as raparigas.
À pergunta sobre se alguma vez beberam "cinco ou mais bebidas,
de seguida", 33 por cento dos rapazes de 16 anos respondem que o fizeram
pelo menos uma vez nos últimos 30 dias; nelas esta mesma resposta desce
para 19 por cento.
Aos 13 anos, data em que se inicia este inquérito, seis por cento dos
rapazes dizem ter-se embebedado uma a duas vezes, face a quatro por cento nas
raparigas; dois por cento dizem ter ficado embriagados três a cinco vezes,
nas raparigas este valor desce para um por cento.
As bebidas destiladas (como whisky e vodka), de maior teor alcoólico,
são cada vez mais as preferidas dos jovens, ganhando terreno ao vinho
e à cerveja.
A prevalência do consumo de destiladas nos dois sexos, nos últimos
30 dias, é aos 18 anos de 60 por cento; na cerveja desce para 40 por
cento e no vinho para 24 por cento.
Prazer e papel social
As diferenças de preferências entre sexos notam-se sobretudo ao
nível da cerveja, com as raparigas a consumir bastante menos do que os
rapazes. Este é um consumo mais associado "ao prazer de beber"
- elas apostam nas destiladas, na forma de shots ou cocktails, quase "para
cumprir um papel social" e conseguirem ficar mais descontraídas
e mais bem dispostas, mais depressa do que se tivessem de beber cerveja, refere
a autora, que realizou o estudo juntamente com Elsa Lavadinho, no âmbito
do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
Fernanda Feijão afirma que o estudo não traz números
surpreendentes, confirmando tendências. Apesar de haver "números
preocupantes", Portugal está entre o grupo de países em que
a situação é melhor. Em 33 países analisados quanto
ao consumo de álcool até aos 16 anos, o país apresenta
os valores mais baixos (só a Turquia tem indicadores melhores) em relação
à prevalência de bebedeiras pelo menos uma vez na vida: 32 por
cento. A Dinamarca, a Lituânia e a Estónia lideram a lista dos
países onde os jovens são mais bebedores.
Catarina Gomes Público 24-05-06
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