Mais importante seria conhecer os comportamentos do filho que constituem verdadeiros
sinais de alarme, na família e na escola, a exigirem acção
imediata.
O grande desígnio dos pais de hoje é conseguir a felicidade para
os filhos. Toleram por vezes comportamentos que consideram desadequados, não
atalham a tempo conflitos mais ou menos previsíveis, sempre pela mesma
razão: acima de tudo, os filhos têm de ser felizes.
De repente, surgem sombras. O meu filho estará bem? Parece-me em baixo,
será que o devo enviar ao psicólogo? Estas perguntas fazem parte
do quotidiano de muitos pais, mas mais importante seria conhecer os comportamentos
do filho que constituem verdadeiros sinais de alarme, na família e na
escola, a exigirem acção imediata.
Vamos pelo mais importante: a infância. Se o adolescente foi uma criança
com muitos problemas, está mais vulnerável e menos capaz de responder
com satisfação e segurança às tarefas da adolescência.
Uma criança muito inibida, desconfiada, isolada, batida muitas vezes
na escola do primeiro ciclo (sem se saber defender), vai ter dificuldades de
integração no grupo adolescente. Um menino agressivo, que maltrata
os animais e bate em todos na escola primária, que estraga objectos em
casa e material na escola, quase de certeza será violento na adolescência.
Não estamos a falar de nenhum fatalismo, nem de uma ciência exacta:
uma infância como a que descrevemos não implica uma adolescência
de risco, torna-a apenas mais provável.
E a inversa também é verdadeira: se até aos dez anos tudo
decorreu com harmonia (com pequenas questões e dúvidas por parte
dos pais, mas com satisfação global na família), é
provável que a adolescência decorra sem grandes sobressaltos, como
aliás acontece na maioria dos casos. Mas a nova etapa de desenvolvimento
pode trazer surpresas, motivos para que os pais se preocupem com razão.
Alguns exemplos: um corpo adolescente desadequado (muito gordo ou muito magro)
deve fazer pensar. A adolescência é, antes de tudo, crescimento
e se este não é adequado no peso deve merecer, antes do mais,
uma avaliação pelo pediatra. Depois, o manejo das emoções:
são normais pequenas flutuações de humor, ligeiro aumento
da agressividade ou várias (mas não sistemáticas) condutas
de oposição à família. Se, pelo contrário,
a tristeza profunda é a regra e a violência verbal ou física
para com familiares é frequente, se existem ameaças de suicídio
ou lesões infligidas no próprio corpo (automutilações),
então os pais devem propor uma consulta de Saúde Mental. O mesmo
deverá acontecer em situações logo à partida mais
graves: jovens que se sentem perseguidos, observados ou espiados todos os dias,
que ouvem vozes e receiam ser atacados sem razão, podem estar no início
de uma psicose, a exigir uma avaliação por psiquiatra (e nunca,
à partida, por psicólogo).
Na escola, os sinais de alarme a reter são: abandono e/ou insucesso
escolar mantidos, consumo abusivo e persistente de álcool ou de qualquer
tipo de drogas (mesmo quando os adolescentes as descrevem como "leves"),
início muito precoce e irresponsável da vida sexual, agressividade
persistente para com colegas e professores, desmotivação contínua
para o trabalho académico. Outro comportamento deve suscitar atenção:
adolescentes muito introvertidos, receosos, muitas vezes batidos pelos colegas
sem esboçarem qualquer defesa (desculpando-se com racionalizações,
género "sou contra a violência, não bato em ninguém")
não nos devem deixar descansados.
Na adolescência, antes de tudo, deve imperar o bom senso: distinguir
turbulência de doença é uma tarefa essencial.
Daniel Sampaio XIS 06-05-06
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