| A maioria dos adolescentes tem conhecimento da realidade mundial e dos problemas
ambientais através da televisão. Esta é uma das conclusões
de um estudo de Sónia Carrilho, que foi tese de mestrado de Ciências
da Comunicação na Universidade Católica de Lisboa.
O estudo tem por base um inquérito feito a 1093 alunos, com idades entre
os 10 e os 16 anos, que frequentam os 2.º e 3.º ciclos do ensino básico,
em três escolas representativas de três níveis sócio-económicos
distintos do distrito de Lisboa.
De acordo com os resultados obtidos no questionário - "as respostas
foram apenas dadas pelos alunos, os adultos não tiveram qualquer interferência"
assegurou a investigadora - "os adolescentes têm a percepção
que vêem muita televisão" e 78% admitem que conhecem a realidade
mundial através desse meio de comunicação.
É aos sábados e durante os períodos de férias que
mais tempo passam em frente do televisor. Aos fins-de-semana vêem diariamente
cerca de 7,5 horas enquanto que durante a semana vêem diariamente cerca
de 4,5 horas.
A escolha de programas é feita pelos próprios adolescentes, que
elegem a ficção como género preferido. "Os programas
mais vistos são os desenhos animados e o preferido é uma telenovela
de língua e produção portuguesa", refere o estudo.
Para Sónia Carrilho, uma das grandes conclusões a tirar deste
estudo é a necessidade do ensino dos média nas escolas. "Isso
pode ser feito através da formação de professores, porque
sendo a televisão um meio omnipresente na vida dos mais novos não
deve ser excluída".
Uma vez que a percepção que os adolescentes têm da realidade
se faz mais pela televisão do que por outro qualquer outro meio, a autora
da tese considera que "pode ser vista como um aliado na escola, como meio
de demonstração, que pode tornar a matéria mais apetecível".
Por outro lado, salientou, "os pais devem fazer um acompanhamento mais
atento aos filhos quando estes estão a ver televisão, auxiliando-os
a compreender a realidade e a permitir que se tornem mais críticos e
interventivos e não meros espectadores passivos".
Para Sónia Carrilho estes resultados devem ser vistos com "optimismo",
porque "a televisão facilita os conhecimentos, mas para tal deve
ser ensinada, deve ser feito um bom uso desta tecnologia, que além do
saber ajuda os jovens nas conversas com adultos e mesmo na própria escola".
Para tirar um maior benefício deste instrumento, a investigadora defende
que se deve "desenvolver uma acção concertada entre pais,
educadores, professores e produtores de televisão que incentivem um bom
uso deste meio de comunicação".
Virgínia Alves
JN 14-01-06
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