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Fiama sente a inextricável complexidade do mundo e a sua perplexidade perante
ele é permanente, embora não passiva. Essa perplexidade não
paralisa a investigação activa do real, antes parece estimulá-la
e desenvolvê-la. Qualquer dos seus poemas é um percurso acidentado
e abrupto que gera na fragilidade irredutível de uma identidade perplexa
mas insubmissa.
António Ramos Rosa
Letras & Letras, 21/ 10/ 92
Ao longo de mais de trinta anos, a poesia de Fiama Hasse Pais Brandão
mais não fez do que aprofundar as relações entre a linguagem
e o mundo, entre as palavras e a vida, entre as imagens linguísticas
e as imagens reais. Se a poesia é um som e se a obra de um poeta é
o seu som, o seu sopro, então a poesia sopra através da vastidão
de uma vida e arrasta nesse sopro a
imagem dos lugares por onde passou.
Gastão Cruz
Letras & Letras, 21/ 10/ 92
De Fiama já se disse o essencial e o acessório, embora tudo fique
por nomear perante a riqueza e singularidade do tesouro oculto nos seus versos
(...) Profundamente inovadora, Fiama desencadeia uma riquíssima reflexão
sobre a arte poética como percepção afectiva do real. (...)
Participante do movimento Poesia 61 - de que constitui destacada referência
-, Fiama vem desde então subscrevendo uma importante e subtil bibliografia
de pendor camoniano que abrange também a novela, o teatro, o ensaio e
a tradução (...)
David Mestre
JL - Jornal de Letras, 20/ 11/ 96
Três Rostos, três livros num único volume: Âmago II
- Nova Natureza, Poemas Revistos e Arómatas e Ecos. Em cada poema, em
cada verso, em cada palavra se reencontra a escrita inconfundível, a
beleza tranquila e pungente de uma das maiores vozes da literatura portuguesa
de hoje.
Maria Lúcia Lepecki
Diário de Notícias, 4/ 2/ 90
Projectada entre um desejo de rigor e uma dispersão semântica
inescapável; entre um conhecimento verificável e um pressentimento
da iluminação devastadora; entre a solidez do monumento construído
e a fragilidade material e temporal da percepção do mundo, a Poesia
de Fiama segue igual a si própria perseguindo infinitamente a figura
geométrica total: ao infinito.
E. M. de Melo e Castro
O Diário, 28/ 10/ 89
(...) uma das chaves para ler esta poesia é a aceitação
de que, na sua opacidade,.ela é de uma transparência absoluta:
Porque tudo está nela, inclusivamente a explicitação dos
princípios a partir dos quais se elabora. (...) O que resulta, então,
é uma arte poética das mais interessantes e acabadas da actual
poesia portuguesa, que nos faz remontar, por vezes, à romântica
no modo
como torna impraticável toda a diferença entre a "palavra
pensante" e a palavra poética.
António Guerreiro
O Diário, 28/ 10/ 89
(
) Quanto mais nos adentramos no âmago da poesia de Fiama, mais
distinto o som do universo clássico. Não se trata de um classicismo
histórico, mas do veio perene da grande tradição oriental.
Mário Garcia
Brotéria, 1997
A feição cénica que a obra de Fiama Brandão apresenta
pode ser vista pode ser vista por meio do que se denominaria teatro da voz.
Nos seus textos, porque são muitas as citações, a escrita,
como se em cena verbal aberta, exibe exemplarmente a intertextualidade. Em verso
ou em prosa, quer pela pontuação contida, quer pelo ritmo expansivo,
a palavra exprime-se na interlocução. Para o entendimento, de
semelhante concepção da escrita, é preciso conjugar a análise
da obra literária à de uma certa prática cultural profundamente
portuguesa que, sobretudo a partir de Orpheu, alcança a notoriedade.
Jorge Fernandes da Silveira
Biblos (Enciclopédia das Literaturas de Língua Portuguesa), 1996
Sobre a obra teatral:
São textos assumidamente literários mas irreprimivelmente teatrais.
Buscam o específico teatral sem desmentir a poesia. Buscam o poético
enquanto se esforçam por falar do real.
Manuel João Gomes
Letras & Letras, 21/19/92
in http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Fiama%20Hasse%20P.Brandao.htm#Sobre%20a%20obra
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