e de Sofia de Melo Breiner Andresen
O engenho bangüê (o rolo compressor,
mais o monjolo, a moela da galinha,
e muitas moelas e moendas de poetas)
vai unicamente numa direcção: na ida.
Ele faz quando na ida, ou ao desfazer
em bagaço e caldo; ele faz o informe;
faz-desfaz na direção de moer a cana,
que aí deixa; e que de mel nos moldes
madura só, faz-se: no cristal que sabe,
o do mascavo, cego (de luz e corte).
Sofia vai de ida e volta (e a usina);
ela desfaz-faz e faz-refaz mais acima,
e usando apenas (sem turbinas, vácuos)
algarves de sol e mar por serpentinas.
Sofia faz-refaz, e subindo ao cristal,
em cristais (os dela, de luz marinha).
João Cabral de Melo Neto in Público 10-07-04
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